Quarta-feira, 28 de Março de 2012

As lojas mais antigas da Baixa lisboeta


Foto: Arquivo Municipal de Lisboa;1905


Martinho da Arcada
Praça do Comércio, n.º 3 > Tel. 218 866 213

Foi no ano de 1782 que, no Terreiro do Paço, surgiu o café que rapidamente se tornou uma preferência para diversas classes sociais. Ao longo de mais de dois séculos, o Martinho da Arcada foi eleito como ponto de encontro de governantes, políticos, militares, artistas e literados. Destes, destaca-se Fernando Pessoa. Este espaço continua a ser procurado para tertúlias e convívios, mantendo a tradição secular.

Conserveira de Lisboa
Rua dos Bacalhoeiros, n.º 34 > Tel. 218 864 009

Tricana, Minore Prata do Mar, marcas próprias da conserveira, cobrem as prateleiras de madeira da loja da Rua dos Bacalhoeiros. Fundada em 1930, a Conserveira de Lisboa é um estabelecimento familiar, fiel à qualidade e à tradição. Enquanto se perdem entre as dezenas de variedades disponíveis, os clientes podem ainda ver o processo de embalagem manual das conservas, nos característicos rótulos coloridos.


Drogaria e Perfumaria S. Pereira Leão, Lda.
Rua da Prata, n.º 223 > Tel. 213 423 320

É uma das duas drogarias que ainda mantém as portas abertas na Rua da Prata. Fundada por espanhóis em 1890, a antiga Drogaria Alvarez, que em 1964 mudou de proprietários e de nome, mantém a traça original e ainda vende perfumes avulso. Mas não se ficam por aqui os cheiros; há sabonetes de várias marcas e todos os produtos típicos de drogaria.

Luvaria Ulisses
Rua do Carmo, n.º 87-A > Tel. 213 420 285

Apesar das suas dimensões reduzidas, a Luvaria Ulisses não passa despercebida na Rua do Carmo. Foi fundada em 1925 por Joaquim Rodrigues Simões, numa época em que as luvas eram um artigo com muita procura. A concorrência desapareceu e a luvaria é agora um dos poucos estabelecimentos do ramo. E se muitos entram ali por curiosidade, há quem não resista e acabe por levar um dos pares de luvas que polvilham os expositores.

Joalharia do Carmo
Rua do Carmo, n.º 87-6 > Tel. 213 423 050

O empresário António Champalimaud foi um dos muitos clientes ilustres da joalharia. Situada na Rua do Carmo desde 1924, a loja da família de Alfredo Alberto Sampaio sentiu o incêndio do Chiado de 1988 muito perto. Resiste, grandiosa. Apesar de continuar a ser uma joalharia de referência na alta sociedade, sofre com a falta de investimento dos seus clientes e com a concorrência dos centros comerciais.

Confeitaria Nacional
Praça da Figueira, n.º 18 > Tel. 213 424 470

A confeitaria que introduziu em Portugal o apreciado bolo-rei nasceu em 1829, pela mão de Baltazar Castanheira, na Praça da Figueira. Antiga fornecedora da Casa Real, a Confeitaria Nacional é procurada e recomendada internacionalmente, pela qualidade dos seus produtos, de produção própria. Mais do que as suas salas de chá e de refeições muito procuradas, são as montras recheadas que abrem o apetite de quem passa.

Café Nicola
Praça D. Pedro IV, n.º 24-25 > Tel: 213 460 579

Inicialmente chamado "Botequim do Nicola", um dos primeiros cafés de Lisboa, inaugurado no século XVII em plena Praça do Rossio, foi o estabelecimento eleito por grandes personalidades da época, como Bocage. Apesar de ter acabado por encerrar em 1928, é recuperado por Joaquim Albuquerque, com o nome Café Nicola, e reconquista a preferência da elite. O seu interior moderno e requintado é apreciado por muitos turistas.

Ginjinha
Largo de São Domingos, n.º 8

A qualquer hora do dia, a Ginjinha dá vida ao Largo de São Domingos, ao Rossio, com o entra e sai constante dos seus clientes, que se fazem notar antes de conseguirmos avistar o pequeno estabelecimento. É fruto da ideia de Francisco Espinheira, que, em 1840, se aventurou na mistura de aguardentes, ginjas e outros ingredientes, da qual resultou a marca registada Ginja Espinheira. A tradição continua.

Chapelarias Azevedo Rua, Lda.
Praça D. Pedro IV, n.º 69, 72-73 > Tel. 213 427 511

Fundadas em 1886 por Manuel Aquinó Azevedo Rua, as Chapelarias Azevedo Rua, Lda. saltam à vista pelas suas montras e pelo seu interior tradicional. Situam-se na Praça D. Pedro IV (Rossio), antigamente conhecida também como a Praça dos Chapeleiros. Foi aqui que o Marquês de Pombal concentrou todas as lojas do ramo da chapelaria. Os outros fecharam, resiste a Azevedo Rua, com boinas, calepinas e chapéus para todos os gostos.

Restaurante Leão D'Ouro
Rua 1.º de Dezembro, n.º 103-107 > Tel. 213 428 185

Conhecido por ter sido o espaço onde se formou o Grupo do Leão, um grupo de naturalistas, ao qual pertenciam personalidades como os pintores António Ramalho e Columbano Bordalo Pinheiro, o restaurante foi fundado em 1845. A sua fachada da altura do Projecto da Restauração, de 1640, e o seu interior com características ainda fiéis aos seus primórdios e o seu ambiente continuam a cativar quem passa.

Pastelaria Suíça
Praça D. Pedro IV, n.º 99 > Tel. 213 214 090

A Pastelaria Suíça foi fundada em 1922 por Isidro Lopes e Raul de Moura. Na altura da II Guerra Mundial, esta pastelaria foi a eleita por muitos dos refugiados provenientes da Europa Central, tornando-se o seu local de encontro e lazer. Por isso nasceu a esplanada, para aumentar a capacidade. Frequentada por ilustres, como o general Humberto Delgado, ainda nos dias de hoje continua a ser a eleita de muitos.

Património. Está a nascer uma nova Baixa, onde novos e velhos estabelecimentos comerciais têm possibilidade de sobreviver. Quem o diz é o presidente da Associação de Dinamização da Baixa Pombalina (ADBP), Manuel Lopes, lembrando, no entanto, que é preciso que as lojas do comércio dito tradicional se adaptem aos novos tempos para que não se perca uma parte importante do património da capital. Isto num altura em que, apesar da substituição do tecido comercial em curso na Baixa, o número de estabelecimentos tem, segundo dados a autarquia, vindo a baixar - em 2009 eram 884, depois de em 2000 terem chegado a ser 1032.

No lugar de algumas que fecham, abrem outras. São sobretudo lojas de chineses ou paquistaneses, mas também de jovens empresários com novas ideias. E todos eles são bem-vindos. "A juventude traz dinâmica à Baixa, e é possível uma interligação entre o presente e o passado", diz Manuel Lopes.

in: Diário de Notícias (3/6/2011)- Inês Banha


Notícias Relacionadas:
O merceeiro do bairro já não é o Sr. António. Agora chama-se Mohammed

Terça-feira, 20 de Março de 2012

Mercearia das Flores

Fotos: Rita Neves; 2012

A economista Joana Oliveira e a bióloga Joana Osswald decidiram mudar de vida e abriram, há cerca de duas semanas, a Mercearia das Flores, em plena Baixa do Porto.

O espaço recria o conceito das mercearias antigas onde não faltam os armários antigos com a típica rede miudinha e um balcão que convida a experimentar os petiscos da casa. Pode petiscar, por exemplo, bacalhau com azeitonas biológicas e ervinhas frescas, ou sardinha em broa de milho de Avintes com tomate mini e alface.

Dos produtos à venda, todos nacionais, diga-se, podemos encontrar mel do Alvão, bolo de mel da Madeira, bolo de figo e estrelas de figo algarvias, ameixas de Elvas, bolachas da Fábrica Diogo, digestivos da Padaria Santo António, conservas da Pinhais, licores e marmeladas da Casa de Encosturas, chás dos Açores, além de compotas de várias regiões, queijos, enchidos e pão do Alentejo, Mirandela, Bragança e Broa de Avintes.

Fundação: 2012

Localização: R. das Flores nº110; 4050-267 Porto

Tipo: Mercearia/Tasca

Domingo, 18 de Março de 2012

A Vida Portuguesa






Fotos: Diário de Lisboa;2010 / Rita Delleil; 2011

Nos tempos que correm nem todos andam à procura dos mais recentes gadgets, do último grito da moda, ou mesmo de cozinha molecular. Bem pelo contrário, há uma fatia do público que procura um cheirinho a outros tempos em cadernos antigos, chocolates de sabores antigos ou água de colónia de outros tempos.

Encontra isto tudo e muito mais, em pleno Chiado, no número 11 da Rua Anchieta, a loja com arcadas de pedra e madeiras antigas abriu portas pela primeira vez em Dezembro de 2005.

Um conceito criado pela jornalista Catarina Portas que foi pioneira no conceito, e que rapidamente se tornou um ícon.


Fundação: 2005

Localização: Rua da Anchieta nº11; 1200-023 Lisboa

Tipo: Produtos Portugueses

Quinta-feira, 15 de Março de 2012

Gambrinus








Fundado a 14 de Julho de 1936 como tasca e casa de pasto na então Rua Eugénio dos Santos (agora, rua Portas de Santo Antão), sofre profunda remodelação em 1964 e surge como Restaurante/Cervejaria Gambrinus com o aspecto que tem actualmente.

Quase dispensa apresentações, já que se trata de um dos mais conceituados restaurantes de Lisboa, muito frequentado por figuras públicas.

Fundação: 1936

Localização: Rua das Portas de Santo Antão nº23; 1150-264 Lisboa

Tipo: Restaurante/Bar

Segunda-feira, 12 de Março de 2012

Agência ABEP

Quiosque Agência ABEP 195-




Fotos: Marco Sousa;2010/ Arquivo Municipal de Lisboa; 195-

Este quiosque, municipal, de cúpula paralelepipédica, cor verde e corpo de alvenaria dá guarida ao Sr. José Carlos há mais de 50 anos.

A agência ABEP, foi formada pelos antigos contratadores, que compravam os espectáculos e vendiam às portas dos teatros. Com o apertar da Fiscalização isso tornou-se insustentável e esses vinte e tal indivíduos agregaram-se e formaram a ABEP, num sistema de quotas.

Entretanto foram morrendo e neste momento só resta o Sr. José Carlos. Quer na venda presencial, quer on-line a temática é variada, desde a tauromaquia, música, teatro, cinema, etc...

Se procura bilhetes para um espectáculo é aqui que os encontra.

Fundação: 195-

Localização: Pç. Restauradores - Pav Abep; 1250-188 Lisboa

Tipo: Venda de Bilhetes

Domingo, 11 de Março de 2012

Conserveira de Lisboa







Fotos: Pedro Diniz; 2011

A Conserveira de Lisboa teve na sua génese a Mercearia do Minho criada em 1930. Desde sempre esta mercearia se dedicou, à venda de conservas, pois um dos sócios fundadores era armazenista deste produto.

Em 1942 passou a denominar-se “Conserveira de Lisboa”. Para além da venda de peixe enlatado e da traça e calçada portuguesa original, é um local ainda à antiga, com coloridas prateleiras em madeira e um atendimento simpático e personalizado.

As três marcas de produtos da conserveira são a Tricana, Prata do Mar e Minor, todas utilizam peixe fresco português. Aqui vendem-se conservas de sardinha como todos os sabores: limão, caril, tomate, cravinho, entre outros. Para além dos clássicos de atum e sardinha, salientamos as ovas de sardinha, as anchovas, o bacalhau, as lulas e o mexilhão.

Fundação: 1930

Localização: Rua dos Bacalhoeiros nº34; 1100-071 Lisboa

Tipo: Mercearia/ Conserveira

Sábado, 10 de Março de 2012

Taberna da Rua das Flores


Na porta está escrito «Mercearia» e não é engano. Esta taberna contemporânea à moda antiga, com chão de mosaico e mesas com tampo de mármore, também tem para venda alguns dos produtos tradicionais portugueses que são servidos às refeições. As refeições seguem algumas receitas já esquecidas, que vão desde o bacalhau às sandes de carne.

Em pleno Chiado, abriu as portas esta semana e quer ser sobretudo uma taberna de almoços. Mas à tarde e à noite também se pode petiscar uns queijinhos e uns enchidos, tudo nacional e de pequenos produtores, ou umas conservas.

O espaço é pequeno (há poucas mesas e ao almoço não fazem reservas) mas a recriação de uma certa atmosfera de outros tempos é bem conseguida e transporta-nos para uma idealizada taberna portuguesa.

Fundação: 2012

Localização: Rua das Flores nº105; 1200-194 Lisboa

Tipo: Taberna / Mercearia

Quarta-feira, 7 de Março de 2012

A Carioca






Fotos: A Carioca;2011/ Autor Desconhecido;2010

A Carioca, casa especializada em cafés e chás, desde 1936, localiza-se no coração da cidade de Lisboa e mantém até hoje todo o charme dos anos 30.

Aqui não se vendem cápsulas industriais, aqui vende-se avulso e ao quilo. Nos armários de madeira encontram-se vários lotes de café, mais de oitenta variedades de chás, chocolates e rebuçados.

De São Tomé, a Cabo Verde, passando pela Costa Rica, Colômbia, Timor e Angola, há cafés para todos os gostos. É deixar-se levar pelo inconfundível cheiro que ali habita.

À entrada da loja uma máquina de moagem atrai pela sua dimensão. É nela que se mói o café ao gosto do cliente. Mas os moinhos tradicionais também não escapam à atenção de quem chega ao estabelecimento, não só pela sua antiguidade como pela cor encarnado-vivo que os caracteriza.

Fundação: 1936

Localização: Rua Misericórdia nº9;1200-270 Lisboa

Tipo: Cafés

Segunda-feira, 5 de Março de 2012

Ginginha do Carmo

Ginjinha do Carmo anos 30


Ginjinha do Carmo anos 60






Fotos: Arquivo Municipal de Lisboa/ Ginjinha do Carmo; 2011

"Ginjinhas" em Lisboa, havia muitas até meados do século XX, agora restam três, sendo que uma delas é uma "re-abertura" recente de uma ginjinha que esteve fechada mais de 20 anos.

A "Ginginha" da Calçada do Carmo abriu portas em meados dos anos 30 do século passado. Na altura vendia licor de ginja, vinhos, vinhos generosos, tabaco e refrescos. Assim foi, durante 3 décadas com o sr. Abílio Teixeira atrás do balcão.

Nos anos 70, o estabelecimento fecha e torna-se uma casa de lotarias do Quiosque Tivoli. Da "Ginginha" fica apenas a memória. A casa de lotaria permaneceu aberta cerca de 20 anos.

Ao abandono, o espaço onde outrora vivia a "Ginginha", permaneceu encerrado durante quase uma década.

Mas, a Ginjinha do Carmo voltou a abrir portas em Outubro de 2011.

Localização: Calçada do Carmo nº37A; 1200-090 Lisboa

Tipo: Ginginha

Domingo, 4 de Março de 2012

Café A Brasileira reabre em Coimbra

Café A Brasileira em 1994

A loja em 1997


Café A Brasileira em 2012




Fotos: A Brasileira;2012/ Autor Desconhecido; 1994/1997


Coimbra voltou a poder tomar café n' A Brasileira. O clássico espaço, aberto em 1928 e encerrado em 1995 para se tornar um pronto-a-vestir, regressou ao destino para que nasceu.

O espaço onde funcionou o emblemático café A Brasileira, antigo palco de tertúlias políticas e literárias em Coimbra, voltou a servir cafés nas suas mesas, entre dois dedos de conversa e três linhas de jornal.

Os jornalistas Albano da Rocha Pato e José Carlos de Vasconcelos (este ainda nos tempos de estudante universitário), o advogado antifascista Alberto Vilaça e os professores catedráticos Paulo Quintela, Vitorino Nemésio e Abílio Hernandez, da Universidade de Coimbra, foram alguns dos frequentadores daquele espaço da rua Ferreira Borges, próximo do largo da Portagem.

Não tenho nada contra a arquitectura contemporânea, mas esta "reabertura" não é uma "reabertura" é uma inuguração de um estabelecimento com o mesmo nome de um que já esteve ali, mas que perdeu o traço interior, assim como os seus tiques, vicíos e clientes.

Localização: Rua Ferreira Borges 124/8; 3000-179 Coimbra

Tipo: Cafetaria

Quarta-feira, 29 de Fevereiro de 2012

Nova Açoreana





Fotos: Lisboa SOS; 2011/Diário de Lisboa; 2011

O registo mais antigo da Nova Açoreana data de 1938, embora se saiba que a origem do estabelecimento seja em data anterior, provavelmente no início do século XX.

Acerca do seu fim, infelizmente tem-se a certeza, 15 de Maio de 2011, o dia em que abriu as portas pela última vez.

Há coisas que teimam em resistir ao tempo e que a nossa memória sensorial reconhece de imediato. Tal acontecia, sempre que transponhamos a porta da Nova Açoreana. A oferta fazia-se em azeites, queijos, enchidos, compotas, fruta, vinagres, vinhos, entre muitos outros produtos que enchiam as prateleiras e o ar com aromas de outros tempos.

Foi assim durante mais de 100 anos, agora "diz-se" que vai ser um hotel...

Fundação: 19--

Localização: Rua da Prata, nº116; 1100-420 Lisboa

Tipo: Charcutaria/Mercearia